Compositor: Não Disponível
Um dia eu voltarei para casa
Em uma manhã úmida, na parada de ônibus deserta
O bonde vazio me levará consigo
Me salvará do vento com sua meia-sombra
Eu viajarei por muitos e muitos dias
Olhando nos olhos apagados dos prédios de vários andares
Lendo as biografias dos postes quebrados
Já não está frio, já quase não há medo
Eu estarei ouvindo o batido nervoso das rodas
A lembrança dos meus dias perdidos
E, nas imagens turvas de tempestades mortas
Tentarei não notar os reflexos
E o horizonte brilhará de maneira estranha
E o movimento infinito cessará
O pedestre passará, exausto
Sob um guarda-chuva, na primeira intersecção de raios de Sol
Eu irei descalça pelo caminho familiar
Sem acreditar no caminho de volta
Respirando o ar que é tão familiar para mim
Eu paro no limiar que nunca se esqueceu
E abraçarei todos aqueles que me são caros
E tudo o que corroía, parecerá irrelevante
Tirei meu manto, acenderei a luz na cozinha
Agora não está frio, agora não há mais medo